Referindo-se a 1647, Manuel Luís Maldonado intitulou o capítulo dedicado a esse
ano na sua Fenix Angrence como “da fome e dos terramotos”. A partir deste relato percebese
que este foi um ano difícil para as gentes da ilha açoriana da Terceira e, em particular,
da cidade de Angra. Foram realizadas muitas procissões pelos frades franciscanos para
apaziguar a ira de Deus para com o povo da ilha. Esse ano foi também uma altura de
seca durante a primavera e o trigo foi escasso, promovendo cerimónias religiosas que
imploravam por chuva. Usando o relato de Maldonado como base, este estudo pretende
reconstituir a possível paisagem sonora de Angra envolvendo estes eventos religiosos
que, para além da sua religiosidade, eram também momentos cívicos e sociais na vida
da cidade.