O facto de Diógenes Laércio incluir, numa obra que visa reunir as vidas e
doutrinas dos filósofos ilustres, as lendas e máximas atribuídas aos Sete Sábios é indicação
clara do relevante papel desempenhado por aquelas figuras na formação da identidade
helénica, enquanto representantes de uma tradição sapiencial que caracterizou a
mundividência arcaica e teve fundas repercussões nas épocas seguintes. A súmula de
Diógenes será o ponto de partida para a reflexão sobre o modo como as máximas dos
Sete Sábios foram sendo retomadas, expandidas, reformuladas e mesmo censuradas por
aqueles outros sophoi ou sophistai que com eles concorreram para dar forma e expressão
ao modo particular de ser Grego – os poetas, quer os cultores da poesia lírica, como
Simónides ou Píndaro, quer do teatro trágico, como Sófocles.