No seio da Egiptologia científica portuguesa convencionou-se uma divisão
da história da civilização faraónica em três períodos principais designados por
«Império», isto é, três épocas de grande estabilidade política e apogeu civilizacional: o
Império Antigo, o Império Médio e o Império Novo. Será, todavia, adequada a aplicação
do conceito de «império» para estas épocas da história egípcia? No contexto lusófono,
este conceito é o que melhor exprime, representa e discrimina o sentido do que se
pretende qualificar? É este o termo que se adequa com maior clareza e propriedade ao
que pretendemos significar? É essencialmente em torno da procura de resposta a estas
questões que se desenvolve o presente texto. A nossa reflexão organiza-se em torno das
características essenciais e definidoras da classificação e do conceito de «império» e da
«validade» da sua aplicação ao caso da antiga história egípcia.