Embora Ricoeur nunca tenha escrito nenhuma obra especificamente dedicada à fundamentação de uma filosofia social, a verdade é que se conseguem encontrar diversos elementos esparsos de filosofia social nos seus livros e artigos. Por conseguinte, é possível reconstruir hermeneuticamente esses elementos e propor uma filosofia social de índole ricoeuriana.
Essa filosofia terá como terminus a quo a constituição intersubjetiva dos seres humanos – e a sua tessitura simultaneamente passiva e ativa, suscetível de ser afetada pela alteridade e ao mesmo tempo dependente do reconhecimento alheio para se poder constituir de forma saudável – sendo o seu terminus ad quem a tentativa de elaboração de instituições que sejam justas e que permitam a melhor realização possível do princípio da liberdade. Tendo como pano de fundo este ideal utópico mas mobilizador da ação humana, esta filosofia acaba por permitir a deteção de fenómenos patológicos – a análise das patologias sociais tornada célebre pela Teoria Crítica – da realidade social e possibilita a crítica desses mesmos fenómenos.
Este artigo reconstitui essa filosofia social e apresenta alguns dos fenómenos sociais cuja crítica ela possibilita (por exemplo, a crítica das ideologias através do recurso à utopia, a crítica das instituições injustas ou alienantes, a análise dos fenómenos de “crise” social que atravessamos, entre outros).
Autor
Marcelo, Gonçalo
Palavras-chave
Ética,
Filosofia Social,
Instituições,
Paul Ricoeur,
Teoria Crítica,
Critical Theory,
Ethics,
Institutions,
Social Philosophy