O jovem Alcibíades possuía todos os atributos que faziam esperar dele
um brilhante homem de estado que levaria Atenas à estabilidade política e a uma
posição forte na guerra. Sócrates é o único a perceber em Alcibíades a semente das
qualidades que o conduziriam à Filosofia e ao Bem. Tentou em vão exercer a sua
influência sobre Alcibíades de modo a converter a atracção físico-erótica deste em
relação a Sócrates numa relação ‘erótica’ direcionada para a Filosofia. No entanto,
o eros de Alcibíades manteve-se sempre preso ao plano do físico e material, voltado
para prazeres físicos, vaidade, ambição e atracção pelo protagonismo fácil. Os
numerosos escândalos a que esteve ligado provocaram no povo atracção e receio, e
assim Alcibíades foge para Esparta. Como um político inconstante, e após novos
escândalos em Esparta, Alcibíades vai para a Pérsia. Tempo depois será recebido
em Atenas, de novo expulso de Atenas, até morrer em terra estranha, perseguido
por gregos. O itinerário existencial de Alcibíades converte-o num ícon da crise
ateniense ou, mais latamente, num ícon da crise das sociedades democráticas de
todos os tempos.